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O Satélite

Benvindo à Estação.

Estação orbital transmissora-receptora de mensagens e textos das diversas formas de vida distribuídas pelo Universo.

Em operação desde 05/08/97.



Esta página foi visitada vezes desde 29/07/97

Aguardamos os contatos, como uma sonda lançada ao espaço cibernético. Emitimos nossos sinais à espera de resposta. Às vezes, longo tempo transcorre entre os eventuais sinais que recebemos; abate-se sobre nós o receio de estarmos sozinhos e já não saibamos o caminho de casa. O que nos resta agora é permanecer na empreitada, desejosos de encontrarmos alguém, ou algo. E nos perguntamos: "haverá vida inteligente no espaço cibernético? Algo, ou alguém, que saiba fabricar cerveja, jogar cartas e escrever histórias que nos divirtam em nossa jornada? Ou tudo não passa de uma ilusão e os únicos organismos vivos por aqui são aqueles malditos vírus de computador que destróem continuamente nossos transmissores e receptores?"

Se alguém recebeu esta mensagem, responda-nos para que tenhamos alguma esperança...

Nota sobre a mensagem do Homem Iguana recebida por acaso nesta estação

Em intervalos irregulares de tempo captamos alguns eventuais sinais em nossas antenas. Às vezes, chegam-nos como impulsos eletromagnéticos, noutras a fonte originária de energia nos é completamente estranha. A maioria das mensagens que interceptamos parece viajar a esmo pelo universo sem destinatário definido, ou dirigidas a alguém ou algo especificamente, mas de quem não se conhece o paradeiro/esconderijo. Tal é o caso de uma mensagem interceptada há alguns meses, "As Assombrosas e Inúteis Preces de um Homem Iguana a Seu Criador". Um magnífico exemplo da solidão intergaláctica em que não conhecemos passado ou futuro e o presente se perde em meio à inexistência de ambos, o vácuo essencial, o espaço vago do Universo em seus desdobramentos espaço-temporais a que chamamos de existência, de Eu. O Homem Iguana não conhece origem nem destino; é sozinho com ele mesmo e se aborrece constantemente; desconhece semelhantes; a ele, e somente a ele, cabe ser o detentor único da solidão universal e absoluta, inclusive a solidão e o tédio transcendentes de seu suposto criador.

"Minhas lágrimas, quando caem sobre o solo poeirento e estéril e quente de minha terra, emitem um chiado que pede a continuidade do silêncio e levantam minúsculas partículas de poeira que se aborrecem por haverem sido tiradas de sua inação." Tais são algumas das palavras do Homem Iguana que chegaram a nós devido a algum acaso inexplicável dos caminhos sombrios, gelados e sempre distantes do Universo. Quem sabe onde reside o infeliz remetente? Quantos anos-luz nos distanciam dele? Há alguma possibilidade, por mais remota que seja, de que sua mensagem chegue ao destino? O "Criador" a que se referem os apelos do Homem Iguana em suas "preces" realmente existe, ou é apenas um artifício (in)voluntário utilizado por ele com o intuito de ver suas dores diminuídas?

Estas palavras nos comoveram; a nós, que também buscamos um suposto sentido. Deixou-nos esperanças de encontrar outras formas de vida durante nossa jornada perene, mas deixou-nos também, ainda que implicitamente e apesar de nossas inúteis tentativas em esconder isso um do outro, um receio de que todas essas criaturas que viermos a encontrar compartilhem da mesma solidão, deste mesmo tédio e desta mesma dor muda de que sofremos nós e o Homem Iguana.

Um ensinamento universal sobre a felicidade (06/08/97)

Antes de tudo, talvez seja necessário explicarmos de uma vez por todas quem somos nós. Somos seres humanos enviados ao espaço com o propósito de buscar uma pequena fagulha de alegria escondida em algum recanto longínquo do Cosmos; talvez protegida por algum anti-Prometeu. Transmitir, captar, retransmitir mensagens, manter contato, entabular diálogos com outras formas de vida inteli-gente. Por enquanto isto basta para nos definir.

Certa vez, chegamos a uma gigantesca estação orbital abandonada nos arredores da constelação conhecida por nós, terráqueos, como Lira. Demoramos semanas para percorrer todo o interior da estação e constatarmos que todos os seus tripulantes estavam mortos há muito, muito tempo. Eram seres enormes em nada semelhantes a qualquer ser vivo conhecido na Terra ou mesmo com os seres que oficialmente foram descobertos sobrevoando a Terra e monitorando-nos desde 1947. Aqueles seres que encontramos mortos, talvez há milhares de anos, mas inteiramente conservados graças à sua imputrescibilidade (não sabemos se de origem genética ou devido às condições espaciais, mas esta característica já vem sendo objeto de pesquisas na Terra, financiadas por grandes e poderosas corporações da indústria esteticista), seriam monstruosos segundo os padrões de nosso planeta. No entanto, algo em suas expressões livravam-nos do horror que provavelmente nos acometeria se a ocasião fosse outra. Pequenos e delicados cristais brotavam de onde deveriam situar-se suas glândulas lacrimais.

Fizemos as observações de acordo com os ditames dos nossos manuais de exploração interplanetária. Fotografamos, mapeamos a estação, contamos seus mortos, detalhamos ao máximo as informações sobre as características morfo-fisiológicas desta nova espécie descoberta.

Quando eu estava prestes a deixar a estação fantasma deparei-me com uma inscrição feita em agonia, os traços desesperados e vacilantes. Rapidamente tomei nota. Fui surpreendido quando voltei a bordo de nossa estação e inseri a informação coletada nos computadores tradutores que copiamos da nave alienígena capturada em Roswell. Era um dos milhões de idiomas catalogados por esta raça altamente desenvolvida. Ao traduzi-la para o português obtive a seguinte sentença:

“A felicidade é um PHASER com punho de madrepérola trabalhado à mão pelos duodactilóides de Ófregon e ornamentado com detalhes em ouro terráqueo e, através de um alto-falante instalado na sua parte posterior, rosna uma frase destinada ao alvo a ser pulverizado: ‘você é a doença; eu sou a cura.’”


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Sarapatel dos Estetas

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