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Sarapatel dos Estetas
 
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Laura
 
Elisângela Aparecida de Souza
Belo Horizonte - M.G..
 
 
Contos Laura procurava idéias meio apagadas em sua mente. Agora, já conseguia dormir sem fazer uso dos calmantes. Bastava fechar os olhos. E aí ele vinha. O sono vinha morno e calmo inebriar sua mente, possuindo seu corpo de uma morbidez estranha.

Deitada na cama, os olhos percorriam o ambiente: roupas espalhadas pelo chão, mofo pelas paredes. Havia chovido e ela nem se deu conta disso. O mofo formava uma crosta encobrindo tudo o que encontrava pela frente: molduras velhas, recortes de jornal pregados na parede. Levantou-se e foi até o guarda-roupa. Suas mãos procuravam ansiosamente alguma coisa. Enfim, retirou um pacote, sentou-se no chão e começou a desembrulhar o conteúdo: era um álbum de fotografias. Laura sorriu e começou a contemplar as fotos. Sentiu reviver em si a formatura, o casamento, o filho. O filho! há quantos anos morrera? Dez, vinte, talvez mais. O marido a abandonou logo em seguida. A partir daí começou a sentir pena de si própria. Então, Laura se enclausurou em seu pequeno mundo de recordações.

Agora, sentada no chão, contemplava nas mãos o que lhe restava: fotografias cheirando a velho. Tudo naquela casa cheirava a perfume velho e embrulhava-lhe o estômago. Sorriu. Ela própria já envelhecera tanto! Dia após dia, linhas senis marcavam a sua pele.

A mulher passou os dedos pelos olhos remelentos. Sentiu que não precisava mais sofrer. Encaminhou-se para a cama, encobriu a pele enrugada e então adormeceu.

 
  
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